COP30: Do Glamour ao Retrocesso — Entre Discursos, Desmatamento e a Voz Silenciada da Amazônia
Enquanto líderes mundiais desfilam em carros blindados e empresários brindam em festas exclusivas, os povos que realmente vivem da floresta e dela dependem protestam do lado de fora, clamando por respeito, território e sobrevivência

Por Álvaro Costa – Advogado, comentarista político e jurídico.
A COP30 chegou ao Brasil com promessas de protagonismo ambiental, discursos inspiradores e a expectativa de colocar a Amazônia no centro da agenda mundial. Mas, ao atravessar as camadas de vitrines sustentáveis, anúncios milionários e eventos paralelos embalados por festas e shows que desvirtuam o foco da questão e da realidade escancarando um contraste gritante: a distância entre os palcos e os bastidores.
Enquanto líderes mundiais desfilam em carros blindados e empresários brindam em festas exclusivas, os povos que realmente vivem da floresta e dela dependem protestam do lado de fora, clamando por respeito, território e sobrevivência.
Centenas de representantes indígenas se reuniram para denunciar a demarcação de terras que segue emperrada; o avanço de grileiros e garimpeiros que continua; as comunidades inteiras que ainda sofrem com contaminação, invasões e violência; a proteção real da Amazônia que não passa de mais um slogan do que uma política necessária e urgente!
Os protestos mostraram a face mais verdadeira dessa COP30, um verdadeiro paradoxo da vitrine verde e a realidade vivida pelos povos ribeirinhos. Enquanto painéis multimídia exibiam projeções coloridas sobre metas climáticas, os satélites revelavam outra história. As taxas de desmatamento continuam preocupantes, e a destruição da floresta avança nas bordas esquecidas, transbordando o paradoxo perfeito entre um evento para salvar o planeta acontecendo enquanto a maior floresta tropical do mundo continua sangrando em silêncio.
Mas não é só! Um dos episódios mais simbólicos desse colapso moral veio do próprio cenário amazônico: relatos e vídeos de barcos utilizados por delegações e equipes logísticas despejando óleo diesel nos rios justamente os rios que a COP30 jurou defender.
É o retrato perfeito da hipocrisia ambiental que fala de sustentabilidade enquanto polui o berço da biodiversidade mundial. Não podemos esquecer que para alguns é palco; para outros, é lar. Quantas COPs mais serão necessárias até que os compromissos ambientais saiam do palco iluminado e cheguem ao chão da floresta?

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